Narrado por Ilguri Aliguieris, com prefácio de Enelidir de Algamanthis,
plagiado e ilegalmente divulgado por Li Rocha
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Prefácio
Por Enelidir de Algamanthis,
Lorde de Ulgamória
O conto a seguir foi romantizado por
Ilguri Aliguieris, o elfo, baseado num dos muitos tomos de memórias do grande
mago Galbeldore. Os famosos pergaminhos contendo os relatos do mago lhe foram
deixados de herança pelo Barão de Hallenfellow para que servissem de base para
seus estudos sobre a História da Era de Ouro dos Três Reinos de Kanthireia.
Após anos debruçando-se sobre os relatos, período que incluiu inúmeras
tentativas frustradas de conseguir uma entrevista com o autor dos documentos, o
renomado cronista compilou-os em forma de prosa fantástica, para que pudesse
ser lida tal qual a literatura tradicional de Faleresëa. É, pois, com muita
honra que eu fui convidado pelo cronista e historiador a escrever a abertura
deste trecho da Grande Saga dos Feikírias.
Começo, então, o meu adendo. Embora este
primeiro conto se passe dez anos após a Última Batalha, creio que uma breve
volta no tempo seja ideal a fim de que o contexto da narrativa se faça melhor
localizado. Neste sentido, podemos dizer que tudo começou com a autocoroação do
Imperador Thelmund, o Pródigo, e o levante de sua rebelião contra Ulgalmord, o
Senhor do Escuro. Ao nascer do sol daquele que seria marcado como o primeiro
dia da Quinta Era, os exércitos aliados de todos os povos livres de Kanthireia
marcharam sob o comando de Thelmund e se embateram com as forças de Ulgamord
aos pés do monte Tlahlgurdók. A Última Batalha, como todos viemos a conhecê-la,
durou do alvorecer ao crepúsculo e pôs fim aos sete séculos da Idade das Trevas
imposta por Lorde Ulgamord sobre Kanthireia. Muitas vidas foram perdidas em
troca da Liberdade, incluindo a do próprio imperador Thelmund, que caiu em
batalha ao duelar pessoalmente o Lorde das Trevas. Contudo, a justiça
prevaleceu e o Senhor de todo o mal foi destruído nos campos de batalha daquele
dia esplendoroso.
Com o Imperador morto, no entanto, o
domínio foi dividido por seus três lugares-tenentes: Alorina, a Justa,
asseguroupara si o cetro e as terras da Arlísia; Dagmar, o Esperto, sentou-se
no trono da Astória e Ellinor, o Ousado, pôs sobre a cabeça a coroa de
Thargobar. O povo de Kanthireia prendeu a respiração e relutou em comemorar de
imediato o alívio causado pela queda de Ulgamord. Todos permaneceram
apreensivos diante da iminente extensão do conflito na forma de uma guerra
civil entre os lugares tenentes pela posse total do Império. Porém, algo
inesperado ocorreu: reunidos na